A importância da Psicologia no esporte

Com o fim do maior torneio esportivo do mundo essa semana e com uma precoce eliminação da Seleção Brasileira de Futebol, muitos questionamentos sobre os aspectos psicológicos dos jogadores foram levantados ao fim do campeonato. Esta copa do mundo de futebol deixou claro como a Psicologia no esporte é igual, ou mais importante que os aspectos táticos e técnicos da partida.

Um momento que ficou marcante nestes últimos meses foram as ações do jogador Neymar Jr. que oscilavam a cada partida e fator de preocupação para comissão técnica, jornalistas e torcedores. Era nítido ver algumas variações de atitudes conforme as situações de campo se propunham. No jogo contra a Costa Rica, por exemplo, na dificuldade em encontrar o gol, o jogador chegou a receber o cartão amarelo por algumas atitudes intempestivas.

O que não sabemos é como a comissão técnica da seleção brasileira analisou essas diversas situações, não só com Neymar, mas com todo o elenco e percebemos, a partir deste mundial, que a Psicologia no esporte é um fator que pode levar uma seleção ao triunfo.

Vemos que o tema é encarado, ainda, com um certo desprezo nas equipes esportivas ao redor do mundo. O psicólogo ainda é visto como o profissional burocrático, sentado no seu consultório, pronto para resolver alguns problemas pontuais dentro do elenco. Isso deve ser mudado imediatamente, o acompanhamento psicológico dentro de uma equipe de alta performance deve ser diário, nos treinamentos e nas competições, analisando as interações e as relações entre cada atleta com diversos fatores como: imprensa, companheiros, empresários, torcida e muitas outras variáveis.

O trabalho é muito mais abrangente do que se pode pensar, ele deve ser multidisciplinar entre as diversas áreas. Este trabalho consegue elevar o nível de competitividade do atleta, evitando até mesmas contusões, que no caso dos jogadores da copa do mundo, estavam em final de temporada e sobre uma forte tensão física e psicológica.

Em uma entrevista para o site Fala Universidade, o Especialista em Psicologia no esporte Rodrigo Falcão uma seleção para ser campeã necessita estar bem em todos os aspectos táticos, físicos e mentais. Caso uma dessas partes não estiver viável, a performance dos jogadores será prejudicada.

No Brasil este aspecto é só uma pequena parte do problema. Quando analisamos o cenário esportivo brasileiro de forma mais macro, percebemos outras questões como a falta de acompanhamento das categorias de base e um trabalho específico com crianças e adolescentes. Com isso perdemos diversos talentos que poderiam compor nossos quadros de profissionais.

Em uma entrevista para ao portal de notícias Nexo, a psicóloga Kátia Rubio, que é coordenadora do Observatório de Psicologia no Esporte da USP e fundadora da ASSOPAPE, citada anteriormente, cita que tudo é uma construção e que não tem nada que venha de forma instantânea e imediata. A psicóloga comenta que o público confunde às vezes o trabalho deste profissional, acreditando que é apenas um trabalho motivacional, mas é muito mais que isso, pois envolve avaliação, intervenção e acompanhamento.

Nossa cultura do imediatismo também atrapalha trabalhos mais planejados a longo prazo. Não observamos que entender a característica emocional e comportamental de cada atleta é única e deve ser trabalhada conforme o contexto de cada indivíduo. A Psicologia no esporte vai se tornar cada vez mais importante para atletas de alto rendimento, principalmente com o nível se tornando cada vez mais competitivo e a exigência cada vez maior.

Esperamos que este pensamento possa ser assimilado pelos diversos profissionais do esporte por todo o Brasil. Até 2022 temos mais quatro anos de preparação para levantarmos o nosso sexto título, a preparação começa desde já e a Psicologia dentro da seleção, não só na principal, mas também as categorias de base seja pilar fundamental para uma equipe vencedora.